domingo, 25 de setembro de 2011

Joan Miró

Joan Miró é um importante escultor e pintor nascido em Barcelona,  Espanha, e também, um lindo gato branco de olhos verdes.

Conheci Miró, quando o guarda da rua trouxe assim que o viu caindo do telhado. Ele não estava muito machucado, afinal gato plaina durante a queda,  mas quando levantou, estava claudicando, ou seja mancando de uma patinha. Miró chegou na clínica e mesmo sentindo dor, me deixou examiná-lo. Suspeitei que havia uma fratura. Conversei com sua proprietária, que estava viajando e ela autorizou a radiografia do membro.
Resultado: Fratura e era preciso uma cirurgia para colocação de  placa.  A cirurgia foi perfeita, logo estava recuperado e teve alta.
Após uns 45 dias, a proprietária me ligou, eu estava fora de São Paulo e me disse que havia retornado de outra viagem e o Miró estava muito magro, não comia há alguns dias. Encaminhei ao hospital com urgência.
Após dois dias, retornei de viagem e em contato com o hospital veterinário, soube que Miró estava muito mal e corria grande risco de vida. Ele estava com lipidose hepática - doença grave que acomete o fígado e o animal não come. O tratamento consiste em tratar o fígado, alimentá-lo até que ele volte a fazer isso sozinho.
Durante a internação, foi colocado uma sonda esofágica para que o alimento fosse administrado em seu organismo.
Os proprietários estavam arrasados, eles são do meio artístico e precisavam viajar novamente. Não queriam deixá-lo sozinho no hospital.
O tratamento era longo e se sobrevivesse precisaria de cuidados intensivos. Me pediram para interná-lo na minha casa. Achei muito arriscado, afinal não tenho o necessário para determinadas emergências, exemplo: uma parada cardíaca. Esclareci os riscos e ainda assim eles insistiram, não queriam que ele morresse numa gaiolinha de hospital. Obviamente este argumento foi muito forte, autorizaram a retirada do animal no estado crítico e eu fui buscá-lo.
Peguei o Miró, completamente amarelo por causa do fígado acometido, sem reação nenhuma, muitíssimo debilitado. Quando falei, ele ouviu minha voz, abriu os olhos e levantou a cabeça......Nesse momento pensei: tenho que tirá-lo dessa!
Sabia que seria muito difícil...e foi.
Como citei acima, ele tinha uma sonda conectada ao esôfago e através dela recebia alimentação a cada 2 horas. Começou minha batalha...
Passou dois dias, Miró não tinha reação, quando eu colocava o alimento na sonda ele tinha ânsia de vômito e em determinado momento, ele realmente vomitou a sonda. De novo, precisava anestesiá-lo e colocar nova sonda, senão ele morreria sem alimento. Quando informei a proprietária, ela chorava  e tinha dúvidas se o melhor era continuar tentando ou desistir, já que ele estava sofrendo. Ela estava sem esperanças....realmente a recuperação é muito lenta e nós não víamos nenhum sinal de melhora... era desanimador. Convenci de tentarmos mais uma vez, eu precisava agir rápido. Pus nova sonda no esôfago e continuei a luta.
Foi longa a jornada, vários medicamentos, preparo do alimento, água, tudo através da sonda.
Miró me acompanhava em todos os lugares, ia trabalhar comigo, se eu precisasse sair, não o deixava sozinho e voltava rapidinho para alimentá-lo ou medicá-lo.
Várias vezes pegava-o no colo e cantava a Oração de São Francisco nos seus ouvidos, ahh...como eu pedi ajuda!
Acho que fui atendida, a primeira vitória foi vê-lo comer um grão de ração!! Todos os dias eu oferecia a ração, mas ele recusava e tinha muito enjôo, quando ele pegou o grão, fiquei muito feliz! Mandei uma mensagem para sua dona, ela me ligou e chorava de tanta alegria... um único grão de ração! Neste momento tive certeza que  conseguiríamos!
Miró passou Natal e Ano Novo comigo, ficou do dia 03 de dezembro de 2010 até o dia 17 de janeiro de 2011, dia do aniversário da sua proprietária que o levou pra casa realmente como um presente!
Miró conseguiu!!! Optou por viver! E eu aprendi: DESISTIR  J A M A I S!

domingo, 18 de setembro de 2011

Charlene, Chubaca, Chubis

Um dia a tosadora falou: vou resgatar uma shih tzu (raça de cão) de um criador. Perguntamos: como assim? Ela respondeu: é um canil que quando a fêmea não serve mais para reprodução e começa a dar prejuízo (afinal precisa se alimentar) eles me ligam e eu busco a matriz (nome dado às fêmeas reprodutoras). Fiquei bege. É o fim....
Bem, todos nós que trabalhamos com animais, passamos grande parte do nosso tempo arrumando candidatos a adoção.
Conversa com um, conversa com outro, uma amiga cliente, mais parecida com uma anja, se interessou pelo caso. Marcamos a data para conhecer a cachorrinha. Foi um sábado e nesse dia a Charlene (esse foi o nome escolhido pela anja) ganhou um lar.
Na segunda feira, ela veio ao consultório, havia percebido que a cachorrinha estava meio quietinha demais e não comia nada de ração, só queria saber do peito de peru (garota esperta !!).
Ao examiná-la, fiquei triste, Charlene estava desidratada, desnutrida e não tinha 5 anos como todos pensavam, ela tinha +ou- 10 anos (a idade é estimada pela dentição do animal). Comuniquei o fato à anja,  sua irmã (outra anja) e a mãe delas (automaticamente também anja) e me dispus aceitar a cachorrinha caso ela quisesse desistir... afinal quando a aceitou não tinha a menor noção de que a Charlene estava doente e também era uma idosa.
Foi terrível dar essa notícia , mas é o meu papel...logo, os olhos se encheram de lágrimas e a anja começou a chorar, seguida da anja irmã, da mãe e inclusive da veterinária, um absurdo! Choramos pela Charlene, choramos pela vida dela, somente se reproduzindo da forma mais comercial que existe, vivendo numa gaiolinha, sem nunca ter tido um dono e quando ela consegue, está doente.
Solicitei exames para que pudesse avaliar a severidade dos problemas. Sabia que não estava bem e eu precisava cuidar com urgência.
Ofereci para que ficasse conosco durante uma semana para eu restabelecê-la e após este período de tratamento,  repetiria os exames afim de avaliar o quanto havia recuperado.
Foi difícil, ela não comia, estava absurdamente desidratada e seus rins já reclamavam. Tentamos várias rações até descobrir que ela era acostumada com comida caseira, ou talvez restos de comida caseira, então, não tive dúvida, mãos a obras: arroz integral, frango cozido, ervilha cozida, tudo fresquinho.
Enquanto isso, a família anja e seus amigos, faziam uma corrente de energia para a recuperação da Chubaca, ah!...esse foi o novo nome  dela. Olhem as fotos, vcs entenderão....
Chubaca começou a comer. Ela é linda de tão feinha!
Todos os dias, nós do Simply Pet, cuidavámos dela, uma delícia! Quando  pegamos no colo, ela deita a cabeçinha no ombro e fica encaixada no nosso pescoço, como se estivesse abraçando, imagine um bicho-preguiça, é igual!  Não tem como não amar...








    Após uma semana, tensão: estava na hora de repetir os exames. Coletamos sangue e urina pela manhã e ficamos o dia inteiro na expectativa. Quase anoitecendo, o resultado chegou:  Meu Deus, Chubaca estava com todas as taxas normalizadas ! Não acreditei... Ficamos muuuuito felizes... Muito choro de novo, a irmã da anja é campeã em produzir lágrimas. Ganhei meu dia, ou melhor minha noite.
Chubaca foi pra casa. Foi difícil dar tchau... que vazio causou! Eu olhava pro chão procurando aquele rastro pretinho atrás de mim, e nada.
Mas eu estava feliz, muito feliz! Ela estava bem e finalmente teria uma lar com todo o amor do mundo que merece.
Chubis: você tem um lugar especial no meu coração!!

domingo, 11 de setembro de 2011

A história de Sofia

Há 4  anos atrás chegou uma senhora no petshop carregando um pacotinho marron cheio de pêlo. Era uma gatinha. A proprietária disse que estava com vários filhotes, mas aquele era o único que não estava bem. Abrimos o cobertor e ela cabia na palma da mão, minúscula, cheia de pulgas, os olhos grudados e muito suja.
Desesperador... as pulgas andavam por ela, inclusive nos olhos, que estavam cheios de secreção, bem como o nariz e orelhas. Ela precisava de tratamento! A senhora nos informou que não tinha condições de arcar com os filhotinhos e muito menos com uma doente. Adivinha? ? ... me ofereci para ficar com ela e, depois de tratada, colocaria para doação. Rapidamente a senhora foi embora, largando a marronzinha conosco.

Lembrei da minha irmã, que já tinha uma gata: Liz, brava e geniosa como só ela. Liguei imediatamente, ofereci a filhote e ela aceitou! Decidimos que Sofia era um lindo nome, ela ficaria comigo até sua recuperação e depois iria para o novo lar.
Passado algum tempo... longo tratamento: cirurgia ocular, vacinação, castração... Sofia se recuperou, uma gata doce, alegre, muito meiga e tem uma seqüela nos dois olhos que debilita sua visão. É a cegueta mais linda do mundo!!
Estava na hora da Sofia partir.......
Minha irmã, que mora em Valinhos, veio busca-lá.
Se arrependimento matasse, este ser que lhes escreve estaria ao lado do Senhor. Depois de dois meses cuidando, tratando, alimentando a minha marronzinha, eu tive que ser forte e entregá-la. Meu consolo era exatamente este, minha irmã.  Mesmo assim, sofri bastante, chorei que nem uma louca. Como eu queria ela para mim!  Pensava que dando-a, eu poderia fazer o mesmo para outros necessitados. Mas meu coração doía de tanto arrependimento.
O tempo passou, Sofia amava a Liz e esta por sua vez não tinha a menor paciência com ela, mesmo assim, Sofia não saía da cola da mau humorada Liz. Até o dia que minha irmã mudou do apartamento para uma casa e, como vocês devem saber, o gato sofre quando muda de ambiente, é necessário fazer uma lenta adaptação. A Liz parecia estar bem, mas um dia ela foi embora, acreditamos que ela tenha pulado através dos muros tentando voltar pra antiga casa...infelizmente a Liz não foi encontrada. Sofia ficou arrasada, e logicamente toda a família. Mais um tempo se passou e chegou a Bianca, uma cadela lhasa apso filhote que iniciou o inferno na vida de Sofia.
A marronzinha não estava feliz, tinha saudades da Liz! então, um certo dia iluminado por Deus, minha irmã perguntou-me: "Será que a Sofia não seria mais feliz se vivesse com os seus gatos?", na ocasião eu tinha dois. Nem pensei... ela seria minha de novo! Não acreditava! Eu faria a adaptação dela e com toda minha paciência ela seria feliz novamente!
Hoje, Sofia é minha marronzinha, meio cega, muito inteligente e de um carisma inesgotável. Convive com Benjamin, Bela e Quick, além dos outros 14 animais. Ronrona só de olhar pra gente, enche o saco de todos os outros gatos e com toda a certeza é muito feliz!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Animal é tudo de bom !!!!

Sabe aquele slogan de uma ração: "Cachorro é tudo de bom" ?  É uma grande verdade, somente trocaria para: "Animal é tudo de bom". Vou lembrar de alguns fatos que fará vocês concordarem comigo:
  • Seu cão vai te receber em casa com a mesma alegria, independente de você estar cansado, com dor de cabeça ou ter tido um dia difícil. Não adianta, ele está com saudades de você! Vai abanar o rabo, latir, pular e lamber você, tudo isso para demonstrar o quanto te ama. Mesmo que você tenha acabado de sair de casa e retornado cinco minutos depois. Não existe amor mais puro. Ele te ama de verdade !
  • Quando seu bichano não está bem, está indisposto, doente, ou comeu alguma coisa que não caiu bem, ele fica amuado, apático, mas quando você chega perto dele, logo reconhece aquele olhar de paixão, eles são incondicionalmente loucos por nós. E quando doentes, seus olhos apaixonados pedem ajuda.
  • E quando eles querem brincar? São felizes, simples e puros, querem jogar bola... nada mais simples do que correr atrás da bolinha e devolver pra você jogar novamente.   E ainda assim, por diversas vezes, nós reclamamos, afinal somos humanos.
  • Você já pensou que os animais não abrem a geladeira?... nem armários? .... ou seja, com a domesticação animal, até para comer eles esperam a nossa iniciativa de alimentá-los. E nós ainda causamos a obesidade deles....
  • Um gato ronronando e roçando nas suas pernas...motivo: Amor. Certa vez, fui fazer um trabalho em um gatil de uma ONG e tinha um gato delicioso, chamava Fred, ele pulava no meu pescoço, verdade, no pescoço, parecia um gato malabarista se equilibrando nos ombros para roçar a cabeça dele na minha, acho que foi o maior sinal de carência que eu já senti, imagine só que eu fui lá para aplicar uma injeção....será que eu sirvo para ser veterinaria?
  • Essa acho que poucos irão me entender: tenho uma paixão inexplicável por tartarugas, qualquer uma, jabutis, tigres d' água, marinhas, todas, não sei explicar, mas quando chego no meu terrário e vejo-as me reconhecendo, doidas pra pegarem as frutas que eu tô levando, amo isso, adoro falar com elas e perceber que elas tem um mundo próprio e não estão nem aí pros meus problemas.
  • Já ouviram falar em TAA - Terapia Assistida com Animais? Trata-se da participação do cão ou do gato no tratamento e recuperação das pessoas doentes, ou seja,  crianças e idosos que tem o privilégio do convívio com os bichanos se recuperam mais rápido.
  • As vezes acordo tão cansada que parece que não dormi. Seis e meia da manhã, levanto, alimento meus cães,  gatos, pico as frutas das minhas tartarugas e aves, tomo café, banho e acordo meus papagaios para levá-los ao viveiro. Normalmente estou sempre correndo e atrasada. Quando pego o casal de papagaios e o macho, chamado Geraldo, me fala: "Bom dia!" aí percebo o quanto estou ligada no automático e ele me faz perceber a diferença de um simples "Bom dia!". Abro aquele sorriso e ganho a certeza de um dia melhor. Esse pequeno ser de cor verde, de bico torto e um olho de cada lado da cabeça é capaz de tornar meu dia mais feliz !!
Animal é tudo bom ! Se você tem alguma situação que o faça concordar comigo, comente, vamos dividir !!


domingo, 4 de setembro de 2011

Pequeno Marley

Em março deste ano, escontrei uma protetora dos animais no Facebook, ela pedia socorro para um cão que estava há 3 dias sem se mover, deitadinho no Terminal de ônibus João Dias. Todos os dias, vejo pedidos de socorro deste tipo, pensei: pena, mas não posso salvar o "mundo" , neste caso o mundo animal.
Era uma sexta feira e aquele cão nao saía da minha cabeça...resolvi então postar uma mensagem oferecendo minha ajuda veterinária, mas imaginei que aquele problema já tivesse uma solução. Para minha surpresa, a anja protetora logo me respondeu e combinamos que ela o pegaria no terminal de önibus e levaria para minha casa, afinal já era final do dia.
Fiquei esperando. Eram 19hs de uma sexta feira quando chegou a Michelli (a anja protetora) com seus pais e uma caixa de papelão, dentro tinha um pequeno cão que a Michelli chamava de Nino. Ele estava péssimo. Rapidamente fiz os primeiros socorros, sem grandes esperanças para um cão semi-morto. Tudo que deveria ser feito eu fiz e na manhã seguinte, vi uns olhinhos que mais pareciam duas jaboticabas, no meio de duas orelhas murchas, me olhando com um ar de "muito obrigado, acho que ficarei bom". Acredito que este foi o momento que eu me apaixonei !!
Bem, sábado de manhã fui pro laboratório veterinário fazer exames no Jack, ah..esse foi o nome que escolhemos: Jack Sparrow, um pirata do Caribe. Após os exames, diagnostiquei que o Jack estava com pneumonia e doença do carrapato, essa doença é um parasita que destrói as células do sangue e o animal tem uma anemia severa, ele estava fraco. Comecei a tratá-lo e logo ele apresentava melhoras.
Depois de alguns dias o Jack estava ótimo e decidi então, tentar doá-lo, afinal já tenho uma boa gang em casa (tema de uma nova postagem, aguardem..).
Publiquei no Facebook e avisei aos meus contatos: doa-se lindo cão sem raça definida, mais ou menos 10 meses, vacinado e castrado. Obviamente ele ainda não era nem vacinado nem castrado, mas eu faria tudo isso assim que ele se recuperasse totalmente.
Certo dia, minha mãe me ligou: Leslie, o porteiro aqui do prédio quer um cão para adotar, você pode trazer o Jack para ele ver? Peguei o Jack e fui até o prédio, confesso que minha razão pedia que o rapaz adorasse o Jack, mas o meu coração odiava a minha razão. Bem, nem desci do carro, somente abri o vidro do passageiro e o Jack começou a lamber as mãos do rapaz, então ele perguntou: vocë acha que o Jack vai crescer muito?   Não pensei duas vezes, respondi: com toda certeza, ela vai ficar ENORME. Voltamos para casa e neste momento percebi que o Jack seria meu pra sempre.
O tempo passou, Jack ficou completamente recuperado e hoje ele é um cão adoravelmente infernal, não pára um minuto sequer, pula em tudo, morde tudo e apavora os gatos da minha gang...costumamos chamá-lo de pequeno Marley!