Joan Miró é um importante escultor e pintor nascido em Barcelona, Espanha, e também, um lindo gato branco de olhos verdes.
Resultado: Fratura e era preciso uma cirurgia para colocação de placa. A cirurgia foi perfeita, logo estava recuperado e teve alta.
Após uns 45 dias, a proprietária me ligou, eu estava fora de São Paulo e me disse que havia retornado de outra viagem e o Miró estava muito magro, não comia há alguns dias. Encaminhei ao hospital com urgência.
Após dois dias, retornei de viagem e em contato com o hospital veterinário, soube que Miró estava muito mal e corria grande risco de vida. Ele estava com lipidose hepática - doença grave que acomete o fígado e o animal não come. O tratamento consiste em tratar o fígado, alimentá-lo até que ele volte a fazer isso sozinho.
Durante a internação, foi colocado uma sonda esofágica para que o alimento fosse administrado em seu organismo.
Os proprietários estavam arrasados, eles são do meio artístico e precisavam viajar novamente. Não queriam deixá-lo sozinho no hospital.
O tratamento era longo e se sobrevivesse precisaria de cuidados intensivos. Me pediram para interná-lo na minha casa. Achei muito arriscado, afinal não tenho o necessário para determinadas emergências, exemplo: uma parada cardíaca. Esclareci os riscos e ainda assim eles insistiram, não queriam que ele morresse numa gaiolinha de hospital. Obviamente este argumento foi muito forte, autorizaram a retirada do animal no estado crítico e eu fui buscá-lo.
Peguei o Miró, completamente amarelo por causa do fígado acometido, sem reação nenhuma, muitíssimo debilitado. Quando falei, ele ouviu minha voz, abriu os olhos e levantou a cabeça......Nesse momento pensei: tenho que tirá-lo dessa!
Sabia que seria muito difícil...e foi.
Como citei acima, ele tinha uma sonda conectada ao esôfago e através dela recebia alimentação a cada 2 horas. Começou minha batalha...
Passou dois dias, Miró não tinha reação, quando eu colocava o alimento na sonda ele tinha ânsia de vômito e em determinado momento, ele realmente vomitou a sonda. De novo, precisava anestesiá-lo e colocar nova sonda, senão ele morreria sem alimento. Quando informei a proprietária, ela chorava e tinha dúvidas se o melhor era continuar tentando ou desistir, já que ele estava sofrendo. Ela estava sem esperanças....realmente a recuperação é muito lenta e nós não víamos nenhum sinal de melhora... era desanimador. Convenci de tentarmos mais uma vez, eu precisava agir rápido. Pus nova sonda no esôfago e continuei a luta.
Foi longa a jornada, vários medicamentos, preparo do alimento, água, tudo através da sonda.
Miró me acompanhava em todos os lugares, ia trabalhar comigo, se eu precisasse sair, não o deixava sozinho e voltava rapidinho para alimentá-lo ou medicá-lo.
Várias vezes pegava-o no colo e cantava a Oração de São Francisco nos seus ouvidos, ahh...como eu pedi ajuda!
Acho que fui atendida, a primeira vitória foi vê-lo comer um grão de ração!! Todos os dias eu oferecia a ração, mas ele recusava e tinha muito enjôo, quando ele pegou o grão, fiquei muito feliz! Mandei uma mensagem para sua dona, ela me ligou e chorava de tanta alegria... um único grão de ração! Neste momento tive certeza que conseguiríamos!
Miró conseguiu!!! Optou por viver! E eu aprendi: DESISTIR J A M A I S!






