terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Lixo com presente!

Toninho foi resgatado dentro de uma caixa de papelão numa lixeira na cidade de Cotia... Estava passando pela rua, a caminho da casa de um paciente, iria somente retirar os pontos após a cirurgia de castração, quando ouvi um barulhinho estranho.
A princípio, achei que era uma criança, olhei ao redor e não havia ninguém. Começei a seguir o som e me aproximei de umas caixas encostadas em um poste de rua....Meu Deus, o som vinha de lá!... Fiquei com medo (tenho pânico de barata) e nojo, mas tinha algum ser vivo naquele local... Sem saída... precisava mexer no lixo. Achei uma caixa e lá dentro tinha um cão ainda filhote.
Ele cheirava muito mal, estava nojento, desidratado e parecia que tinha um óleo no corpo. Magro como só ele...
Levei pra clínica e ao examiná-lo percebi que ele  estava desnutrido, desidratado, tinha uma seborréia na pele e estava com muito medo. Ele tinha um pavor nos olhos, o que será que tinha acontecido com ele? Há quantos dias ou horas ele estava no lixo? Quem foi o infeliz que o deixou lá?
Bem, cuidei dele.

Ele comia como se nunca tivesse visto alimento na vida. Coloquei na fluidoterapia (soro) e mantive em observação. Ele foi ficando animado e menos desconfiado!
Nosso motorista Sr. Antonio, adorou o pequeno no primeiro instante. Apelidamos de Toninho!
Na semana seguinte, consegui fazer um banho  com um shampoo apropriado para eliminar a oleosidade da pele. O tratamento levou uns bons três meses, mas melhorou muito o aspecto.

Toninho, mais conhecido como Totó ficou forte e bonito.
Vacinei, castrei e hoje Totó é o companheiro do Sr. Antonio.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Bela

Isabela Swan, uma gata persa. Pequenina, meiga, tricolor, um doce de menina. Sou louca por ela!
Tudo começou há um ano atrás quando percebemos que  a Bela ia pra caixinha de necessidades, demorava muito e não conseguia fazer xixi. Eu tinha acabado de mudar de casa e a espécie felina é super sensível a mudanças. Bem, ela  teve uma cistite e quando solicitei uma ultrassonografia abdominal, descobri que um dos rins estava "inflado", ou seja cheio de líquido, era uma hidronefrose. Pedi a um colega para operá-la e retiramos o rim doente. Minha pequena ficou somente com um rim, ainda bem que o outro é bem saudável. A causa da hidronefrose foi uma castração mal feita, aonde suturaram o ureter juntamente com os ovários. Infelizmente, erro profissional...

Bela se recuperou bem. Passou um ano e eu mudei de casa novamente (tenho alma cigana) e acreditem, coincidência ou não Bela adoeceu de novo.
Começei a perceber quando chamei para comer, ela cheirou a comida e virou as costas. Bela sem comer?? isso é impossível.....passou mais uns minutos e vômito.
No dia seguinte, Bela não comia e iniciou uma sessão de vômitos. Direto ao laboratório para fazer exames.
Quando o resultado saiu já era noite,  li e  tive vontade de chorar: o único rim da minha Belinha não estava funcionando. Uma das funções dos rins é filtrar o sangue e eliminar as toxinas através da formação de urina,  o rim da Bela não estava filtrando e ela estava intoxicada, por isso o vômito e anorexia. Tratamento imediato é a fluidoterapia (soro) para forçar a produção de urina. Começou a batalha...


Como ela não comia nada, iniciei um processo que apelidei de telesena: de hora em hora, eu ou minha filha, injetávamos na boca dela,  arroz e peito de frango batido no liquidificador, as vezes ela vomitava, as vezes ingeria. Foi uma luta: soro duas vezes por dia e alimentação telesena.

Quatro dias depois, fiz um ultrassom e o resultado foi uma nefrite - infecção renal, mas a estrutura do orgão está preservada. Apesar de tudo, fiquei feliz!!! Conseguirei tirar minha pequenina dessa!!!  Longo tratamento, serão 6 semanas de antibióticos.
Após a primeira aplicação, a Bela começou a urinar muiiiiiito e assim eliminar o que lhe intoxicava. Nessa mesma noite, ela começou a comer. Felicidade total. Ela vai melhorar !!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Frases interessantes

Selecionei dentro da minha memória, algumas frases interessantes que ouvi de clientes e amigos:

  • Acho tão lindo meu cão gordinho!
  • Ele (o cão) tem tanta fome....
  • Porque eles latem?
  • O que eles pensam?
  • Esse enforcador não vai enforcá-lo?
  • Fazer exame em animal???? Já basta vaciná-lo.
  • O focinho dele vive úmido, acho que é gripe.
  • Nunca vi um cachorro sem pulga.
  • Ele pode morrer dormindo?
  • Castrar tira tudo??  achei que só tirava os hormônios...
  • Cão tem diabetes? Mas ele não come doce??
  • O que devo fazer quando ele quer passear?
  • Estou grávida, preciso doar meu gato.
  • Porque meu gato não vem quando eu o chamo?
  • Quando meu cão late, o que ele quer?
  • Meu gato come um ou dois grãos de ração a cada cinco minutos, é normal?
  • O que eu posso fazer pro meu marido gostar dele (gato)?
  • Ele (cão) está estranho, acho que está triste!

domingo, 6 de novembro de 2011

Um sagui chamado Péricles

Sagui, primata da família dos Callitrichideos, são os menores símios do mundo.
Um amigo me pediu para indicar um veterinário de silvestres, mas queria que o profissional fosse até a casa dele, uma vez que o bichinho era bravo e não tinha como sair de casa. Infelizmente, não consegui uma boa alma para fazer este serviço, então antes que o animal piorasse, ofereci para tentar ajudá-lo. Fui até a casa dele.
Bem, não entendo de animais silvestres, trabalho somente com cães e gatos, mas quando cheguei perto da gaiolinha do Péricles, olhei para o pezinho dele e fiquei chocada...ele havia comido o próprio pé!  Estava com um ferimento infeccionado e o que ainda sobrava do pé estava enorme de inchado.
Lembrei-me de tudo que aprendi sobre a espécie primata e comecei a avaliar o local, alimentação, brinquedos, limpeza, ou seja todo o manejo/tratamento que o bichinho estava tendo. Suspeitei que o pequeno estava sofrendo de auto mutilacão por erro de manejo, isso é comum em primatas de cativeiro.

Voltei ao consultório e liguei para uma amiga que poderia me ajudar. Expliquei a situação e ela me indicou a dosagem dos remédios que curaria aquela ferida. Preescrevi a receita e informei minha suspeita ao proprietário com as sugestões para adequar o ambiente do Péricles. Ele foi super receptivo e logo planejou as mudanças.
Concomitante ao tratamento da ferida, a primeira ação foi mudar o local e tamanho da gaiola, ou seja, era muito pequena e vertical, ele não tinha espaço suficiente para pular, correr e brincar, atividades típicas de um macaquinho. Os primatas gostam de ficar nas alturas, ou melhor, em local mais alto que os humanos, simulando uma condição arbórea.
O viveiro deveria ser horizontal, para que ele pudesse correr e exercitar-se em cordas e puleiros  distribuídos em vários níveis, o ambiente também precisava ser enriquecido por plantas ou simuladores, brinquedos e materiais diversos para garantir a distração no decorrer do dia.
A gaiola atual ficava próxima a uma churrasqueira, onde o proprietário recebia convidados com frequência, isso com toda certeza estressava o animal. Era preciso mudar o local.
Segundo passo, foi a alimentação. Alguns ajustes como uma dose semanal de proteína, ovo cozido,  além de frutas, legumes e verduras frescas, excluindo somente o alface e abacate. No mercado pet atual, existem rações comerciais para pequenos primatas, são de excelente qualidade e devem ser oferecidas diariamente.

Aos poucos o proprietário foi modificando o ambiente e a alimentação. Enquanto isso, a medicação foi curando o restinho do pé dele. 
Péricles curou, ficou deficiente, mas vive muito mais feliz em seu novo lar cheio de brinquedos e plantas que o distraem durante todo o dia. 

domingo, 30 de outubro de 2011

Um pássaro que voou por nossas vidas...

No começo da semana, chegou um rapaz na clínica com um passarinho verde embrulhado em alguns guardanapos, ele disse: "achei este passáro, ele está sangrando muito...."
Pegamos o pacotinho e colocamos na mesa de atendimento.
As narinas dele estavam cheias de sangue, o pobrezinho não conseguia ficar em pé, tombava para o lado em câmera lenta. Falei: "acho que ele vai morrer". 
Limpei e tentei aliviar a respiração, mas os dois buraquinhos minúsculos do nariz minúsculo estava completamente tapado. Peguei uma seringa de insulina, também minúscula e suguei o interior das narinas. Saiu muiiiiiiito sangue !!!!!
Não sabemos o que aconteceu, talvez tenha batido a cabeça, um trauma hemorrágico?
Após a sucção, ele começou a firmar as perninhas e ficou mais aliviado, ou seja, conseguia respirar. Mesmo assim, ainda achava que o risco de morte era grande. Infelizmente, as aves não demonstram muito  bem os sintomas e morrem sem aviso prévio.
A Camila, amiga e sócia do pet, me ajudou e apaixonou-se instantaneamente. Acho que era recíproco, ele  ficava super bem com ela.
Avaliei melhor, era um pequeno passarinho verde, da classe dos psitacídeos, um periquito.
Como a Camila estava muito empolgada com a ave, me preocupei e alertei mil vezes que ele ainda poderia morrer.
Arrumamos uma gaiola, oferecemos ração, brócolis, água, improvisamos galhos de árvores como puleiros, e observamos: a cada minuto parecia melhorar mais e mais.
Resolvemos soltá-lo, talvez ele fosse da natureza. A Camila colocou em um vaso de planta no jardim e acreditem, ele não voou, simplesmente ficou ali, olhando pra nossa cara. Nos afastamos...nada... talvez não estivesse tão bem assim?
Passou mais um tempinho e fomos novamente tentar a liberdade.....nada, ele não voava, talvez fosse de alguém e não estava acostumado a voar?    Não sabemos, só temos certeza que ele não queria ir embora.
Fomos pra casa, e Giorgio, este foi o nome escolhido pela Camila, ficou dormindo.
Será que ele estaria vivo no dia seguinte?

- Sim, no dia seguinte, ele estava ótimo! Comecei acreditar que tudo daria certo!
Iniciamos uma alimentação reforçada, banana com ração na boca, ele gostou tanto que logo começou a devorar sozinho.
Certo momento, a Camila estava na loja com o Giorgio no ombro, quando ele deu um vôo rasante que foi parar no meio da rua... a ensandecida da Camila saiu correndo (mais parecia uma louca) quando viu que ele aterrisou no meio do asfalto e ali ficou... Dois loucos, Giorgio e Camila correndo risco de serem atropelados... Depois deste episódio concluímos que Giorgio era sem noção e tinha muito o que aprender!
Arrumamos uma casa nova, olha a foto ao lado, ele adorou, até passarinhos da vizinhança vinham na varanda conversar com ele. Virou uma festa!



"Ontem, sábado, infelizmente Giorgio amanheceu morto.....não sabemos o que aconteceu, como eu disse anteriormente, as aves não demonstram sinais de doenças, simplesmente morrem".

Sem palavras...



domingo, 23 de outubro de 2011

Pequeno Marley -parte II

Domingo de manhã, dia de passear com Jack, guia na mão, saquinho para o cocô e pé na rua.
Ele, como sempre animadíssimo, andamos mais ou menos 3 km, voltamos pra casa e percebi Jack mais cansado do que o normal,  pensei "é melhor descansar". No horário do jantar, ele não quis comer, isso também não é normal... começei a me preocupar, Jack não está bem.
Segunda de manhã, ele não comeu de novo, vamos pra clínica comigo! Coletei sangue para exames, confesso que até uma simples coleta de sangue nos meus animais se torna um ato difícil para mim. Resultado: doença do carrapato de novo, Erlichiose, doença que parasita as células do sangue, resultando em severa anemia. Existem três tipos: aguda, subclínica e crônica. Jack tem a crônica. Na mesma noite, iniciei o tratamento. Após 3 dias, ele não apresentava nenhum sinal de melhora, entrei em pânico. Precisava  de uma transfusão de sangue, muita dúvida,  a infecção não cedia. Tinha que raciocinar, não tinha cérebro, o sentimento era muito maior que minha razão.
No mundo veterinário, tudo é mais lento do que na medicina humana, tive muita dificuldade em conseguir uma bolsa de sangue para fazer a transfusão, mas consegui e Jack ficou tomando sangue por seis longas horas. No início da transfusão, o hematócrito (taxa que determina o volume de hemácias-células do sangue) estava em 10%, sendo que o valor ideal mínimo é 37%, ao final da transfusão tinha conseguido subir até 26%.
No dia seguinte, ele estava mais animadinho, ainda muito fraco, comeu um pouco. Recorri a conselhos e ajuda psicológica de amigas veterinárias (diga-se de passagem: grandes amigas!). Eu entendo porque médicos não podem cuidar de seus entes queridos. É muito mais dolorido quando são nossos!

Jack Sparrow teve uma anemia hemolítica secundária à Erlichiose, ou seja, ele mesmo destrói as células do sangue dele. Precisei entrar com medicações para alterar o sistema imunológico.
Ele está se recuperando muito lentamente, precisará de cuidados para toda vida.
Sem problemas, meu pirata, tô aqui pra isso!


domingo, 16 de outubro de 2011

Dicas de Saúde Animal

Me perguntei: como posso ter um blog que fala de animais, sem ter uma postagem que dê dicas de como tratá-los??
Então, vamos lá:


- Vacinação: As vacinas protegem contra diversas doenças, devem ser iniciadas nos primeiros meses de vida e repetidas anualmente.


- Vermifugação: ideal a cada seis meses em animais adultos e cada três meses enquanto filhotes.


- Alimente seu filhote três vezes por dia, animal adulto duas vezes por dia.


- Água limpa e fresca diariamente. Nos dias de verão mantenha a água fresca com pedras de gelo.


- Em dias de calor, passeie somente nos horários mais frescos, ande pela sombra, seu pet tem coxins (almofadinhas) nos pés e eles se queimam no chão quente.


- Obesidade não é sinal de saúde e sim de doença.


- Castre seu animal.


-  Faça um checkup semestral ou anual, prevenir é sempre o melhor remédio. Principalmente em animais idosos.


- Escove os dentes diariamente, a presença de tártaro causa danos a saúde.


- Gatos se estressam facilmente, cuidado com mudanças de ambiente, alteração de rotina, objetos, animais ou pessoas novas na casa.


- Use antipulgas e anticarrapaticidas, parasitas trazem doenças.


- Quando for levar seu pet em viagens, se informe sobre profilaxia de doenças regionais.


- Animais sentem dor, o limiar da dor é muito maior que o limiar dos humanos. Fique atento aos sinais.


- Não medique seu animal sem consultar um veterinário. Alguns remédios de humanos podem intoxicá-los.


- Cuide bem deles, amor causa amor.


- Banhos são bem-vindos, cuidado com excessos.


- Corte as unhas com a ajuda de um profissional.


- Cães e gatos de pêlo longo precisam ser penteados diariamente, existem escovas (rasqueadeiras) apropriadas.


- Animais de pele clara, quando expostos ao sol, devem utilizar protetor solar próprios de animais.


- Sempre que tiver dúvida, recorra a um veterinário.


ESTOU À DISPOSIÇÃO.

domingo, 9 de outubro de 2011

Uma Buldog que dá vontade de morder!!

Atendi uma pequena cadela Buldog, branca e preta, de 7 meses, nome Vicky,  com uma bolinha vermelha no canto do olho, era uma protusão da glândula da terceira pálpebra, isso mesmo, o cão tem três pálpebras, dentro tem uma glândula que pode ficar para fora. 
A correção é cirúrgica. 

Normalmente, quando há protusão em um dos olhos, isso pode ocorrer também no outro olho. Conversei com os proprietários e decidimos esperar um pouco, para ver se saía a glândula do outro olho.
Passado um tempinho, resolvemos não esperar mais e fizemos a cirurgia. O procedimento consiste em sepultar a glândula dentro da pálpebra.
Cirurgia foi feita e tudo correu muito bem. A Vicky precisou usar o conhecido colar elizabetano, aquele que parece uma cúpula de abajur para impedir que ela coçasse o olho com a pata. Durante seis dias de recuperação, ela ficou conosco no hotel, porque seus pais tinham ido viajar. Adoro isso!  Pude mimar a pequena com todas as minhas forças....no final do dia, pegava a Vicky e levava para minha sala, onde ela me lambia até cansar e depois dormia no meu colo!   Que delícia, ela até roncava, muito gostoso!
Seus pais voltaram de viagem e sete dias após a cirurgia Vicky foi pra casa.
No dia seguinte, eles me ligaram dizendo que a vagina dela estava enorme e ela não parava de esfregar no chão. Pedi para vê-la.
Quando ela chegou, meu santo!!... a perseguida da bichinha que mede mais ou menos 1 cm, estava enorme, parecendo uma maça vermelha e assada!!! Coitadinha...devia estar doendo e coçando demais, porém, como ela usava o colar abajur, não conseguia lamber, então esfregava no chão causando maior irritação, era assadura pura!.. eu sentia arder.... diagnóstico: vaginite. Preescrevi o tratamento, inclusive medicação para dor.
No final da tarde, recebi uma ligação, era o proprietário da Vicky em pleno desespero! Ela não parava de raspar no chão, nem a pomada ele tinha conseguido passar, pois cada vez que  passava, ela logo esfregava em algum lugar, disse que a chão da casa estava cheio de pomada... não conseguia imaginar a cena!... Instruí uma medicação para acalmar o prurido e lhes dar um pouco de sossego.  

No dia seguinte, a Vicky melhorou, dormiu em paz e sua shaninha voltou ao tamanho normal. Ah...também teve alta do olho e pôde ficar livre do colar!
Agora é torcer para não sair a glândula do outro olho......

Vicky, uma lambida especial pra você!


domingo, 2 de outubro de 2011

Muito triste......

Ontem precisei eutanasiar uma cadela.
A eutanásia é a pior situação que um veterinário vivencia. Eu odeio quando chega esse momento. Estudamos 5 longos anos de faculdade e todas as atualizações que existem para fazer os animais viverem, não morrer.
É claro que lançamos mão disso como último recurso e com o objetivo de aliviar o sofrimento de um animal, mas o sacríficio significa que a medicina perdeu para a doença. É uma derrota... eu me sinto derrotada e com um aperto no coração que chega a doer.....
A história começou em maio deste ano, quando atendi a Kika, uma Golden Retriever, 32 kg, 11 anos, completamente loira e linda!  Kika tinha um tumor de mama.
Ao examiná-la, as características do tumor eram um mau presságio. Existem vários tipos de tumores mamários, benignos e malignos, porém o tipo da Kika era muito específico e achei que pudesse ser um carcinoma inflamatório, mas o diagnóstico definitivo só é feito após a retirada do tumor e o exame histopatológico que identifica o tipo tumoral.
A cadeia mamária (a cadela tem 5 ou 6 mamas de cada lado) direita estava bem acometida e indiquei aos seus proprietários a cirurgia. Se fosse confirmado a malignidade do tumor, iniciaríamos a quimioterapia.
Na mesma semana, agendamos a cirurgia e fiz a mastectomia parcial. A Kika se recuperou muito bem, mesmo sendo uma cirurgia bem drástica, ela se superou e teve um pós operatório excelente.
Encaminhei o material retirado para exame, demorou 10 dias e o laudo confirmou minha suspeita: carcinoma inflamatório. Muito triste... Comuniquei o resultado aos proprietários, inclusive o prognóstico deste câncer, que na literatura veterinária é de 30 dias de vida. Decidimos iniciar a quimioterapia para dar-lhe mais tempo com qualidade de vida.
Eles toparam! Iniciei um protocolo a cada 21 dias, ou seja, a cada 3 semanas eu pegava uma veia e administrava a medicação. Acredite, enquanto eu pegava a veia para inserir o cateter, ela me olhava...somente me olhava, não precisava ninguém segurá-la ou me ajudar, ela nem rosnava, só olhava!!
Quando a Kika chegava na clínica e eu iniciava os quimioterápicos a Patrícia Cicarelli (a Kika adorava ela) ficava sentada no chão do lado dela. Tem amor mais lindo?!! Depois das sessões de quimio, ela se alimentava e ia pra casa. 
Foram quatro meses de tratamento  e nos três primeiros ciclos ela respondeu muito bem. A grosso modo, a quimioterapia destrói as células malignas, mas também destrói as células saudáveis do corpo, ou seja, depois disso tudo Kika estava fraca, e começou a não comer ou até vomitar. Era o começo do fim...
Neste último sábado, fomos chamados para ver a Kika, fui eu e a Patrícia. Ela já não se levantava mais e também não comia nada. Como é difícil... Com muita dúvida, mas certos que era o melhor pra ela, seus proprietários optaram pelo alívio do sofrimento.
A Patrícia e o Tiago me ajudaram. Fizemos isso com muita dor e lágrimas, mas com toda a certeza ela precisava desse alívio.
Kika, minha loira, descanse em paz !!!

domingo, 25 de setembro de 2011

Joan Miró

Joan Miró é um importante escultor e pintor nascido em Barcelona,  Espanha, e também, um lindo gato branco de olhos verdes.

Conheci Miró, quando o guarda da rua trouxe assim que o viu caindo do telhado. Ele não estava muito machucado, afinal gato plaina durante a queda,  mas quando levantou, estava claudicando, ou seja mancando de uma patinha. Miró chegou na clínica e mesmo sentindo dor, me deixou examiná-lo. Suspeitei que havia uma fratura. Conversei com sua proprietária, que estava viajando e ela autorizou a radiografia do membro.
Resultado: Fratura e era preciso uma cirurgia para colocação de  placa.  A cirurgia foi perfeita, logo estava recuperado e teve alta.
Após uns 45 dias, a proprietária me ligou, eu estava fora de São Paulo e me disse que havia retornado de outra viagem e o Miró estava muito magro, não comia há alguns dias. Encaminhei ao hospital com urgência.
Após dois dias, retornei de viagem e em contato com o hospital veterinário, soube que Miró estava muito mal e corria grande risco de vida. Ele estava com lipidose hepática - doença grave que acomete o fígado e o animal não come. O tratamento consiste em tratar o fígado, alimentá-lo até que ele volte a fazer isso sozinho.
Durante a internação, foi colocado uma sonda esofágica para que o alimento fosse administrado em seu organismo.
Os proprietários estavam arrasados, eles são do meio artístico e precisavam viajar novamente. Não queriam deixá-lo sozinho no hospital.
O tratamento era longo e se sobrevivesse precisaria de cuidados intensivos. Me pediram para interná-lo na minha casa. Achei muito arriscado, afinal não tenho o necessário para determinadas emergências, exemplo: uma parada cardíaca. Esclareci os riscos e ainda assim eles insistiram, não queriam que ele morresse numa gaiolinha de hospital. Obviamente este argumento foi muito forte, autorizaram a retirada do animal no estado crítico e eu fui buscá-lo.
Peguei o Miró, completamente amarelo por causa do fígado acometido, sem reação nenhuma, muitíssimo debilitado. Quando falei, ele ouviu minha voz, abriu os olhos e levantou a cabeça......Nesse momento pensei: tenho que tirá-lo dessa!
Sabia que seria muito difícil...e foi.
Como citei acima, ele tinha uma sonda conectada ao esôfago e através dela recebia alimentação a cada 2 horas. Começou minha batalha...
Passou dois dias, Miró não tinha reação, quando eu colocava o alimento na sonda ele tinha ânsia de vômito e em determinado momento, ele realmente vomitou a sonda. De novo, precisava anestesiá-lo e colocar nova sonda, senão ele morreria sem alimento. Quando informei a proprietária, ela chorava  e tinha dúvidas se o melhor era continuar tentando ou desistir, já que ele estava sofrendo. Ela estava sem esperanças....realmente a recuperação é muito lenta e nós não víamos nenhum sinal de melhora... era desanimador. Convenci de tentarmos mais uma vez, eu precisava agir rápido. Pus nova sonda no esôfago e continuei a luta.
Foi longa a jornada, vários medicamentos, preparo do alimento, água, tudo através da sonda.
Miró me acompanhava em todos os lugares, ia trabalhar comigo, se eu precisasse sair, não o deixava sozinho e voltava rapidinho para alimentá-lo ou medicá-lo.
Várias vezes pegava-o no colo e cantava a Oração de São Francisco nos seus ouvidos, ahh...como eu pedi ajuda!
Acho que fui atendida, a primeira vitória foi vê-lo comer um grão de ração!! Todos os dias eu oferecia a ração, mas ele recusava e tinha muito enjôo, quando ele pegou o grão, fiquei muito feliz! Mandei uma mensagem para sua dona, ela me ligou e chorava de tanta alegria... um único grão de ração! Neste momento tive certeza que  conseguiríamos!
Miró passou Natal e Ano Novo comigo, ficou do dia 03 de dezembro de 2010 até o dia 17 de janeiro de 2011, dia do aniversário da sua proprietária que o levou pra casa realmente como um presente!
Miró conseguiu!!! Optou por viver! E eu aprendi: DESISTIR  J A M A I S!

domingo, 18 de setembro de 2011

Charlene, Chubaca, Chubis

Um dia a tosadora falou: vou resgatar uma shih tzu (raça de cão) de um criador. Perguntamos: como assim? Ela respondeu: é um canil que quando a fêmea não serve mais para reprodução e começa a dar prejuízo (afinal precisa se alimentar) eles me ligam e eu busco a matriz (nome dado às fêmeas reprodutoras). Fiquei bege. É o fim....
Bem, todos nós que trabalhamos com animais, passamos grande parte do nosso tempo arrumando candidatos a adoção.
Conversa com um, conversa com outro, uma amiga cliente, mais parecida com uma anja, se interessou pelo caso. Marcamos a data para conhecer a cachorrinha. Foi um sábado e nesse dia a Charlene (esse foi o nome escolhido pela anja) ganhou um lar.
Na segunda feira, ela veio ao consultório, havia percebido que a cachorrinha estava meio quietinha demais e não comia nada de ração, só queria saber do peito de peru (garota esperta !!).
Ao examiná-la, fiquei triste, Charlene estava desidratada, desnutrida e não tinha 5 anos como todos pensavam, ela tinha +ou- 10 anos (a idade é estimada pela dentição do animal). Comuniquei o fato à anja,  sua irmã (outra anja) e a mãe delas (automaticamente também anja) e me dispus aceitar a cachorrinha caso ela quisesse desistir... afinal quando a aceitou não tinha a menor noção de que a Charlene estava doente e também era uma idosa.
Foi terrível dar essa notícia , mas é o meu papel...logo, os olhos se encheram de lágrimas e a anja começou a chorar, seguida da anja irmã, da mãe e inclusive da veterinária, um absurdo! Choramos pela Charlene, choramos pela vida dela, somente se reproduzindo da forma mais comercial que existe, vivendo numa gaiolinha, sem nunca ter tido um dono e quando ela consegue, está doente.
Solicitei exames para que pudesse avaliar a severidade dos problemas. Sabia que não estava bem e eu precisava cuidar com urgência.
Ofereci para que ficasse conosco durante uma semana para eu restabelecê-la e após este período de tratamento,  repetiria os exames afim de avaliar o quanto havia recuperado.
Foi difícil, ela não comia, estava absurdamente desidratada e seus rins já reclamavam. Tentamos várias rações até descobrir que ela era acostumada com comida caseira, ou talvez restos de comida caseira, então, não tive dúvida, mãos a obras: arroz integral, frango cozido, ervilha cozida, tudo fresquinho.
Enquanto isso, a família anja e seus amigos, faziam uma corrente de energia para a recuperação da Chubaca, ah!...esse foi o novo nome  dela. Olhem as fotos, vcs entenderão....
Chubaca começou a comer. Ela é linda de tão feinha!
Todos os dias, nós do Simply Pet, cuidavámos dela, uma delícia! Quando  pegamos no colo, ela deita a cabeçinha no ombro e fica encaixada no nosso pescoço, como se estivesse abraçando, imagine um bicho-preguiça, é igual!  Não tem como não amar...








    Após uma semana, tensão: estava na hora de repetir os exames. Coletamos sangue e urina pela manhã e ficamos o dia inteiro na expectativa. Quase anoitecendo, o resultado chegou:  Meu Deus, Chubaca estava com todas as taxas normalizadas ! Não acreditei... Ficamos muuuuito felizes... Muito choro de novo, a irmã da anja é campeã em produzir lágrimas. Ganhei meu dia, ou melhor minha noite.
Chubaca foi pra casa. Foi difícil dar tchau... que vazio causou! Eu olhava pro chão procurando aquele rastro pretinho atrás de mim, e nada.
Mas eu estava feliz, muito feliz! Ela estava bem e finalmente teria uma lar com todo o amor do mundo que merece.
Chubis: você tem um lugar especial no meu coração!!

domingo, 11 de setembro de 2011

A história de Sofia

Há 4  anos atrás chegou uma senhora no petshop carregando um pacotinho marron cheio de pêlo. Era uma gatinha. A proprietária disse que estava com vários filhotes, mas aquele era o único que não estava bem. Abrimos o cobertor e ela cabia na palma da mão, minúscula, cheia de pulgas, os olhos grudados e muito suja.
Desesperador... as pulgas andavam por ela, inclusive nos olhos, que estavam cheios de secreção, bem como o nariz e orelhas. Ela precisava de tratamento! A senhora nos informou que não tinha condições de arcar com os filhotinhos e muito menos com uma doente. Adivinha? ? ... me ofereci para ficar com ela e, depois de tratada, colocaria para doação. Rapidamente a senhora foi embora, largando a marronzinha conosco.

Lembrei da minha irmã, que já tinha uma gata: Liz, brava e geniosa como só ela. Liguei imediatamente, ofereci a filhote e ela aceitou! Decidimos que Sofia era um lindo nome, ela ficaria comigo até sua recuperação e depois iria para o novo lar.
Passado algum tempo... longo tratamento: cirurgia ocular, vacinação, castração... Sofia se recuperou, uma gata doce, alegre, muito meiga e tem uma seqüela nos dois olhos que debilita sua visão. É a cegueta mais linda do mundo!!
Estava na hora da Sofia partir.......
Minha irmã, que mora em Valinhos, veio busca-lá.
Se arrependimento matasse, este ser que lhes escreve estaria ao lado do Senhor. Depois de dois meses cuidando, tratando, alimentando a minha marronzinha, eu tive que ser forte e entregá-la. Meu consolo era exatamente este, minha irmã.  Mesmo assim, sofri bastante, chorei que nem uma louca. Como eu queria ela para mim!  Pensava que dando-a, eu poderia fazer o mesmo para outros necessitados. Mas meu coração doía de tanto arrependimento.
O tempo passou, Sofia amava a Liz e esta por sua vez não tinha a menor paciência com ela, mesmo assim, Sofia não saía da cola da mau humorada Liz. Até o dia que minha irmã mudou do apartamento para uma casa e, como vocês devem saber, o gato sofre quando muda de ambiente, é necessário fazer uma lenta adaptação. A Liz parecia estar bem, mas um dia ela foi embora, acreditamos que ela tenha pulado através dos muros tentando voltar pra antiga casa...infelizmente a Liz não foi encontrada. Sofia ficou arrasada, e logicamente toda a família. Mais um tempo se passou e chegou a Bianca, uma cadela lhasa apso filhote que iniciou o inferno na vida de Sofia.
A marronzinha não estava feliz, tinha saudades da Liz! então, um certo dia iluminado por Deus, minha irmã perguntou-me: "Será que a Sofia não seria mais feliz se vivesse com os seus gatos?", na ocasião eu tinha dois. Nem pensei... ela seria minha de novo! Não acreditava! Eu faria a adaptação dela e com toda minha paciência ela seria feliz novamente!
Hoje, Sofia é minha marronzinha, meio cega, muito inteligente e de um carisma inesgotável. Convive com Benjamin, Bela e Quick, além dos outros 14 animais. Ronrona só de olhar pra gente, enche o saco de todos os outros gatos e com toda a certeza é muito feliz!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Animal é tudo de bom !!!!

Sabe aquele slogan de uma ração: "Cachorro é tudo de bom" ?  É uma grande verdade, somente trocaria para: "Animal é tudo de bom". Vou lembrar de alguns fatos que fará vocês concordarem comigo:
  • Seu cão vai te receber em casa com a mesma alegria, independente de você estar cansado, com dor de cabeça ou ter tido um dia difícil. Não adianta, ele está com saudades de você! Vai abanar o rabo, latir, pular e lamber você, tudo isso para demonstrar o quanto te ama. Mesmo que você tenha acabado de sair de casa e retornado cinco minutos depois. Não existe amor mais puro. Ele te ama de verdade !
  • Quando seu bichano não está bem, está indisposto, doente, ou comeu alguma coisa que não caiu bem, ele fica amuado, apático, mas quando você chega perto dele, logo reconhece aquele olhar de paixão, eles são incondicionalmente loucos por nós. E quando doentes, seus olhos apaixonados pedem ajuda.
  • E quando eles querem brincar? São felizes, simples e puros, querem jogar bola... nada mais simples do que correr atrás da bolinha e devolver pra você jogar novamente.   E ainda assim, por diversas vezes, nós reclamamos, afinal somos humanos.
  • Você já pensou que os animais não abrem a geladeira?... nem armários? .... ou seja, com a domesticação animal, até para comer eles esperam a nossa iniciativa de alimentá-los. E nós ainda causamos a obesidade deles....
  • Um gato ronronando e roçando nas suas pernas...motivo: Amor. Certa vez, fui fazer um trabalho em um gatil de uma ONG e tinha um gato delicioso, chamava Fred, ele pulava no meu pescoço, verdade, no pescoço, parecia um gato malabarista se equilibrando nos ombros para roçar a cabeça dele na minha, acho que foi o maior sinal de carência que eu já senti, imagine só que eu fui lá para aplicar uma injeção....será que eu sirvo para ser veterinaria?
  • Essa acho que poucos irão me entender: tenho uma paixão inexplicável por tartarugas, qualquer uma, jabutis, tigres d' água, marinhas, todas, não sei explicar, mas quando chego no meu terrário e vejo-as me reconhecendo, doidas pra pegarem as frutas que eu tô levando, amo isso, adoro falar com elas e perceber que elas tem um mundo próprio e não estão nem aí pros meus problemas.
  • Já ouviram falar em TAA - Terapia Assistida com Animais? Trata-se da participação do cão ou do gato no tratamento e recuperação das pessoas doentes, ou seja,  crianças e idosos que tem o privilégio do convívio com os bichanos se recuperam mais rápido.
  • As vezes acordo tão cansada que parece que não dormi. Seis e meia da manhã, levanto, alimento meus cães,  gatos, pico as frutas das minhas tartarugas e aves, tomo café, banho e acordo meus papagaios para levá-los ao viveiro. Normalmente estou sempre correndo e atrasada. Quando pego o casal de papagaios e o macho, chamado Geraldo, me fala: "Bom dia!" aí percebo o quanto estou ligada no automático e ele me faz perceber a diferença de um simples "Bom dia!". Abro aquele sorriso e ganho a certeza de um dia melhor. Esse pequeno ser de cor verde, de bico torto e um olho de cada lado da cabeça é capaz de tornar meu dia mais feliz !!
Animal é tudo bom ! Se você tem alguma situação que o faça concordar comigo, comente, vamos dividir !!


domingo, 4 de setembro de 2011

Pequeno Marley

Em março deste ano, escontrei uma protetora dos animais no Facebook, ela pedia socorro para um cão que estava há 3 dias sem se mover, deitadinho no Terminal de ônibus João Dias. Todos os dias, vejo pedidos de socorro deste tipo, pensei: pena, mas não posso salvar o "mundo" , neste caso o mundo animal.
Era uma sexta feira e aquele cão nao saía da minha cabeça...resolvi então postar uma mensagem oferecendo minha ajuda veterinária, mas imaginei que aquele problema já tivesse uma solução. Para minha surpresa, a anja protetora logo me respondeu e combinamos que ela o pegaria no terminal de önibus e levaria para minha casa, afinal já era final do dia.
Fiquei esperando. Eram 19hs de uma sexta feira quando chegou a Michelli (a anja protetora) com seus pais e uma caixa de papelão, dentro tinha um pequeno cão que a Michelli chamava de Nino. Ele estava péssimo. Rapidamente fiz os primeiros socorros, sem grandes esperanças para um cão semi-morto. Tudo que deveria ser feito eu fiz e na manhã seguinte, vi uns olhinhos que mais pareciam duas jaboticabas, no meio de duas orelhas murchas, me olhando com um ar de "muito obrigado, acho que ficarei bom". Acredito que este foi o momento que eu me apaixonei !!
Bem, sábado de manhã fui pro laboratório veterinário fazer exames no Jack, ah..esse foi o nome que escolhemos: Jack Sparrow, um pirata do Caribe. Após os exames, diagnostiquei que o Jack estava com pneumonia e doença do carrapato, essa doença é um parasita que destrói as células do sangue e o animal tem uma anemia severa, ele estava fraco. Comecei a tratá-lo e logo ele apresentava melhoras.
Depois de alguns dias o Jack estava ótimo e decidi então, tentar doá-lo, afinal já tenho uma boa gang em casa (tema de uma nova postagem, aguardem..).
Publiquei no Facebook e avisei aos meus contatos: doa-se lindo cão sem raça definida, mais ou menos 10 meses, vacinado e castrado. Obviamente ele ainda não era nem vacinado nem castrado, mas eu faria tudo isso assim que ele se recuperasse totalmente.
Certo dia, minha mãe me ligou: Leslie, o porteiro aqui do prédio quer um cão para adotar, você pode trazer o Jack para ele ver? Peguei o Jack e fui até o prédio, confesso que minha razão pedia que o rapaz adorasse o Jack, mas o meu coração odiava a minha razão. Bem, nem desci do carro, somente abri o vidro do passageiro e o Jack começou a lamber as mãos do rapaz, então ele perguntou: vocë acha que o Jack vai crescer muito?   Não pensei duas vezes, respondi: com toda certeza, ela vai ficar ENORME. Voltamos para casa e neste momento percebi que o Jack seria meu pra sempre.
O tempo passou, Jack ficou completamente recuperado e hoje ele é um cão adoravelmente infernal, não pára um minuto sequer, pula em tudo, morde tudo e apavora os gatos da minha gang...costumamos chamá-lo de pequeno Marley!