domingo, 29 de janeiro de 2012

Anjos existem !!!

Essa história é muito mais da nica do que minha e tenho um prazer enorme de contá-la.

A Mônica mora no interior da região Sul e na cidade há grande dificuldade de acesso a veterinários de pequenos animais.
Conheci-a  em 2010, ou melhor, não a conheço pessoalmente, somente por telefone, facebook ou mensagens.
Vamos a história:
A Mônica conseguiu, através de uma outra amiga protetora, levar 15 gatinhas para castrar no centro de zoonoses de uma cidade vizinha.
Foi bem trabalhoso! Levou cinco em um dia e no dia seguinte, levou  outras cinco e assim foi.
No último dia, quando foi buscar suas gatinhas, ela entrou em uma das baias para pegá-las, olhou para o lado e viu dentro de uma jaula, com uma plaquinha escrita SACRIFÍCIO, uma gatinha, muito lindinha mas com o rosto desfigurado. A mandíbula dela estava partida e totalmente deslocada. Mônica levou um choque!!
A pequena, muito espertinha, foi pedindo atenção e se esfregando (impossível não reagir àquilo). Então,  Mônica perguntou a uma atendente o que havia acontecido, ela disse que não sabia, mas logo foi dizendo que se alguém a tratasse ela sobreviveria. Mas que ali no Centro de Zoonoses não tinham como mantê-la.
Claro! Ela pegou a gata da gaiolinha, juntou com as outras e foi embora.
 
Mas, e agora?... o que fazer com a gata?.... nunca tinha visto algo tão triste. Estava com a boca tão caída que lembrava aquela máscara do pânico. Até seus outros gatos estranhavam a aparência da pequenina. A cachorrinha Luna, quando olhava pra gatinha, ficava latindo sem parar. Então, lembrou do filme CARRIE, A ESTRANHA e resolveu chamá-la de Carrie Scary. Parece que ela gostou! Mas o que fazer? Ela tinha grande dificuldade para se alimentar, tinha que ser ajudada todo o tempo.
Então, teve a idéia de postar, em várias comunidades do facebook, pedidos de ajuda, conselhos, sugestões do que poderia ser feito para tratar a Carrie.......foi quando eu apareci, vi o pedido de socorro da Mônica e me dispus a ajudá-la.
Nos falamos pelo telefone.... muito dificil ensinar alguém, o que deve ser feito, apenas em palavras, mas como nós duas concluímos, eu e a Mônica erámos a melhor opção da Carrie.
Bem, expliquei como fazer uma talinha no rosto e ir ajustando com o tempo. Precisávamos também medicá-la para a dor, imagine como devia doer....
Segundo a Mônica, deu muito trabalho! Não foi nada fácil, pois ela tirava a tala e teimosamente era colocado de novo. 
Rapidamente foi consolidando.
Ela está agora com uma saúde perfeita.
A boca ficou tortinha, mas com os dentinhos no lugar e ela come normalmente. Muito brincalhona, adora subir em árvores.
 
Eu acredito em anjos !
A Mônica foi e é o anjo da Carrie, como também de muitos outros que tem a sorte de encontrá-la no caminho!!
A propósito, estamos tratando mais alguns gatinhos, espero que tenhamos o mesmo sucesso da Carrie.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Emergênciaaaaaaaaaaaaaaa...........

Um amigo meu está trazendo o cachorro dele, disse que esta péssimo....- me avisou a Camila.
Passou uns 20 minutos, eu estava olhando as orelhas de um outro paciente, quando vi subindo um daschund (salsicha) grande e marron, completamente desacordado, no colo de um rapaz.
Desci da mesa o paciente da orelha e deitamos o daschund. O nome dele é Pluto, 12 a 13 anos, ninguém sabia ao certo....e uns bons 12 quilos, bem grandão.
Ele estava em choque, não responsivo, sem movimento nenhum, todos os seus músculos tinham uma rigidez impressionante.
Enquanto avaliava os sinais do Pluto, fazia perguntas ao proprietário afim de descobrir o que tinha acontecido: o Pluto tinha saído ao meio dia para passear e quando retornou não estava bem... ninguém viu o que aconteceu, já eram 3 horas da tarde e ele estava péssimo.
Eu precisava agir rápido, coloquei na fluidoterapia (soro), tinha uma desidratação severa e elimininava líquido pelo ânus como se fosse uma torneira aberta.
Estava em choque hipovolêmico, ou seja, o animal perde tanto líquido que o coração fica incapaz de bombear sangue para o corpo. Isso pode causar a desfunção de outros orgãos, levando rapidamente a morte.
Teoricamente, a perda de aproximadamente um quinto do volume sangüíneo normal, por qualquer causa, pode causar choque hipovolêmico. Isto inclui sangramentos ou perda de líquidos do corpo.

Achei que ele estava morrendo...toda vez que eu me deparro com essa situação, fico nervosa, triste, comecei a tremer...parei, pensei, me acalmei e voltei a agir...tudo isso em questão de segundos... ele não tinha tempo.
Os sinais eram bem característicos de uma intoxicação...a que? não sabemos.
Não sei quanto tempo passou.....até as pálpebras não tinham mais reflexo....achei que o coração pararia a qualquer momento.

Durante esse tempo o proprietário tinha ido até a padaria comer alguma coisa, quando retornou, chegou próximo ao rosto do Pluto e começou a conversar com ele, pedia pra ele reagir, sair dessa. 
Gente, parece mentira o que eu vou dizer,  mas ele levantou, parecia que estava retornando de um coma profundo, super atordoado.
Meu Desus, ele reagiu, abriu os olhos, tentava fixar o olhar, totalmente desnorteado, mas era um bom sinal. Nao acreditei, olhei para a Camila, transmitimos o pensamento: "será que conseguimos??".
O Pluto saiu andando, foi para a cidade de Jundiaí aonde está internado no hospital de um parente do proprietário, ainda em tratamento para uma gastroenterite, mas está bem, vivo e fora de risco!
Valeu Pluto !!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Meio Kilo

Meio Kilo, esse é o nome dele.
Sua proprietária, Jane, resgatou o pequeno. Era o menorzinho entre os outros, estava debilitado e na ocasião ele ficou internado. Não sei o que ele teve.
Conheci Meio Kilo em dezembro passado, quando veio para iniciar o protocolo de vacinação, ele tinha uma pequena anemia, mas estava bem.
Nos primeiros dias deste ano, veio a Jane com o nosso querido Meio Kilo sem comer nada e super apático.
Ohh..coitado, nem se mexia, super debilitado, desidratado e magrinho de novo.

Coletei exames e solicitei urgência no laboratório.
Iniciei os primeiros socorros. Ele estava fraco, sem cor e nem forças para se mover. Coloquei em fluidoterapia (soro), algumas medicações para controlar o vômito e enquanto isso eu aguardava os resultados dos exames....nada...passou quatro horas, resolvi ligar no  laboratório, conversa vai e conversa vem, descobri que o material coletado do Meio Kilo tinha ficado com o motoboy durante 3 horas..a b s u r d o ! ou seja, não adiantou nada pedir urgência. Resumindo tive o resultado somente à noite e acredito que pelo ocorrido com a amostra de sangue,  o resultado também não era 100% confiável.
Dia seguinte, Meio Kilo retornou ao consultório e ainda não comia nada, super prostrado. Vamos lá, tudo de novo. Rezei por ele. Tive medo que pudesse ser algo irreversível, como as vacinas não estão completas, ou melhor só iniciadas, me preocupei, mas (como sempre) acredito que com o meu trabalho e uma força "divina" ele sairia dessa.
Ficou novamente internado comigo.
Dia seguinte, uma pequena melhora, ele começou a levantar, meio cambaleante, é verdade, mas é um começo....ah, também lambeu um pouquinho da comida.

Tudo de novo, mais um dia de internação, soro e medicação.

Outro dia: finalmente começou a comer, estava mais animado, até latindo!!! Internei mais um dia, para garantir a melhora. Fiquei muito feliz !
O trabalho de veterinária é isso: uma luta constante onde manipulamos  o organismo de um outro ser vivo para que ele reaja e combata a doença. Temos derrotas e às vezes quem vence é a doença, mas quando eu consigo vencê-la... EU AMO! 
P.S.: Talvez seja a mesma sensação do jogador de futebol quando faz o gol.

Meio Kilo tem de 3 a 4 meses, vira-lata puro, um olhar doce e carente que conquista qualquer um.