domingo, 2 de outubro de 2011

Muito triste......

Ontem precisei eutanasiar uma cadela.
A eutanásia é a pior situação que um veterinário vivencia. Eu odeio quando chega esse momento. Estudamos 5 longos anos de faculdade e todas as atualizações que existem para fazer os animais viverem, não morrer.
É claro que lançamos mão disso como último recurso e com o objetivo de aliviar o sofrimento de um animal, mas o sacríficio significa que a medicina perdeu para a doença. É uma derrota... eu me sinto derrotada e com um aperto no coração que chega a doer.....
A história começou em maio deste ano, quando atendi a Kika, uma Golden Retriever, 32 kg, 11 anos, completamente loira e linda!  Kika tinha um tumor de mama.
Ao examiná-la, as características do tumor eram um mau presságio. Existem vários tipos de tumores mamários, benignos e malignos, porém o tipo da Kika era muito específico e achei que pudesse ser um carcinoma inflamatório, mas o diagnóstico definitivo só é feito após a retirada do tumor e o exame histopatológico que identifica o tipo tumoral.
A cadeia mamária (a cadela tem 5 ou 6 mamas de cada lado) direita estava bem acometida e indiquei aos seus proprietários a cirurgia. Se fosse confirmado a malignidade do tumor, iniciaríamos a quimioterapia.
Na mesma semana, agendamos a cirurgia e fiz a mastectomia parcial. A Kika se recuperou muito bem, mesmo sendo uma cirurgia bem drástica, ela se superou e teve um pós operatório excelente.
Encaminhei o material retirado para exame, demorou 10 dias e o laudo confirmou minha suspeita: carcinoma inflamatório. Muito triste... Comuniquei o resultado aos proprietários, inclusive o prognóstico deste câncer, que na literatura veterinária é de 30 dias de vida. Decidimos iniciar a quimioterapia para dar-lhe mais tempo com qualidade de vida.
Eles toparam! Iniciei um protocolo a cada 21 dias, ou seja, a cada 3 semanas eu pegava uma veia e administrava a medicação. Acredite, enquanto eu pegava a veia para inserir o cateter, ela me olhava...somente me olhava, não precisava ninguém segurá-la ou me ajudar, ela nem rosnava, só olhava!!
Quando a Kika chegava na clínica e eu iniciava os quimioterápicos a Patrícia Cicarelli (a Kika adorava ela) ficava sentada no chão do lado dela. Tem amor mais lindo?!! Depois das sessões de quimio, ela se alimentava e ia pra casa. 
Foram quatro meses de tratamento  e nos três primeiros ciclos ela respondeu muito bem. A grosso modo, a quimioterapia destrói as células malignas, mas também destrói as células saudáveis do corpo, ou seja, depois disso tudo Kika estava fraca, e começou a não comer ou até vomitar. Era o começo do fim...
Neste último sábado, fomos chamados para ver a Kika, fui eu e a Patrícia. Ela já não se levantava mais e também não comia nada. Como é difícil... Com muita dúvida, mas certos que era o melhor pra ela, seus proprietários optaram pelo alívio do sofrimento.
A Patrícia e o Tiago me ajudaram. Fizemos isso com muita dor e lágrimas, mas com toda a certeza ela precisava desse alívio.
Kika, minha loira, descanse em paz !!!

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