sábado, 9 de junho de 2012

Um filhote....o que eu faço agora?

Peguei um filhote. Não sei o que fazer?
O primeiro passo é levá-lo ao veterinário.
Liste todas as suas dúvidas, não interessa se você acha que sua pergunta é boba ou idiota , o que interessa é saber cuidar do bebê e o veterinário é a melhor pessoa para te ajudar nessa empreitada.
Vamos lá:
A ração que veio ou a alimentação que te informaram que ele come, mantenha durante esse período de adaptação, qualquer mudança pode ser prejudicial.
Existem vários tipos de rações e o veterinário vai te ajudar a escolher a melhor opção. Não dê restos de comida, se optar pela alimentação caseira, nada como uma receita bem nutritiva.
Descubra se ele foi vermifugado. Os filhotes de cães e gatos (adultos também) precisam ser vermifugados!
A vacinação é de extrema importância, vacina aplicada e assinada por um veterinário. O animal deve estar em pleno estado de saúde para que sua resposta imunitária seja completa.
Filhotes costumam chorar a noite, principalmente se ficam sozinhos. Uma idéia é um bichinho de pelúcia encostado no corpo dele, como um  "irmãozinho".
Eles mordem tudo, existem mil opções de brinquedos para animais. Atenção com o tamanho, deve ser apropriado ao seu bichano.
Cuidado com a ingestão de corpos estranhos, fique atento ao que vai na boca do seu pequeno.
Preserve seus chinelos.....

Exames laboratorias vão ajudar o veterinário a identificar algo errado.

Mimem seus pequenos!  Dizem que não podemos mimar os nossos filhos senão serão adultos "estragados". Então, com os animais não corremos esse risco, carinho e amor é tudo o que eles mais gostam e precisam!!

Pequenos, grandes, filhotes, adultos, idosos, macho, fêmea, cães, gatos, todos os animais, precisam e merecem nosso respeito.
Se você optou por ter ou abrigar um animal, lembre-se que ele vai durar bons anos e requer cuidados diários, além dos cuidados médicos, odontológicos e muiiiiiiiiiiito AMOR.


Boa sorte!




quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bóris e Petit Gateau.....seres especiais !

No início desse ano, adotamos de coração aberto, dois gatos persas, idosos e deliciosos. Infelizmente a proprietária faleceu e eles foram morar no Simply Pet.
Apresento-vos:
 * Bóris, mais conhecido como Bobó, 12 anos, pequenino, magro e genioso !!!

E seu filho:
* Petit Gateau, um enorme gato gordo de 9 anos. Um dengo, se esparrama no chão só de olhar pra ele!!!
Ambos tiveram uma excelente adaptação. É incrível chegar e vê-los correr pra ganhar carinho, são seres absurdamente especiais!!!
Há uns dias atrás, percebemos que o pequenino Bóris estava com dificuldades urinárias...isso mesmo, ele estava obstruído e não conseguia fazer xixi. Imaginem a dor...
No mesmo dia, colocamos uma sonda na sua uretra, o objetivo era limpar o canal e liberar a urina.... ufa, que alívio....
Fiz uma ultrassonografia e concluímos que não havia cálculos que pudessem estar causando a obstrução.
No dia seguinte, tudo de novo: obstruído. Nova sondagem, mas agora fixamos a sonda e ficou liberando a urina.
Ele ficou lindo de fralda! Levei o Bóris pra minha casa, dormiu no quarto com minha filha e se comportou muito bem. Um gentleman!
Mas infelizmente, no dia seguinte,  a sonda entupiu, havia muito sangue, seu sistema urinário estava ferido..... Senhor, meu Bóris, vamos melhorar!!!
Tivemos a idéia de conversar com o antigo veterinário, afinal ele tem 12 anos e com certeza alguém já havia cuidado dele antes. Localizamos o profissional através da documentação e descobrimos que nosso pequenino Bobó sempre teve este problema, já havia sido sondado inúmeras vezes e o diagnóstico anterior era "Cistite Idiopática", ou seja, uma inflamação na vesícula urinária sem causa conhecida. Provavelmente por stress, tão comum nos gatos. Vamos lá Bóris: antiinflamatório, ansiolítico e muito amooooor !!!
Após 10 dias, Bóris está melhor, mais calmo e principalmente urinando normalmente.
Pra quem tem gato ou os conhece bem, sabe o quanto é difícil tratá-los, mas é gratificante demais vê-los melhorar.
Mais uma vez: Obrigada São Francisco !

segunda-feira, 14 de maio de 2012

RAIVA ...uma velha, nova doença.

A Raiva é uma doença causada por um vírus e é caracterizada por uma encefalite viral aguda, fatal ou quase sempre fatal. Sua transmissão se dá através da saliva do animal contaminado (mordedura, lambedura e arranhadura). Existem outras formas de contágio, porém são mais raras.
A principal fonte de infecção é o cão e gato em áreas urbanas e em áreas rurais, além de cães e gatos, morcegos, macacos e mamíferos domésticos como: bovinos, eqüinos, suínos, caprinos, ovinos.

É uma doença tão antiga que o primeiro registro data de 1930 a.C. na antiga Mesopotâmia, atual Iraque.
Desde 1983 não era registrado um caso de raiva na nossa cidade, em dezembro do ano passado (2011) um gato faleceu na zona Sul de São Paulo e sua proprietária, desconfiada,  levou o corpo do pequeno animal para especialistas  e a suspeita se confirmou através de testes para a Raiva. Possivelmente o gato contraiu a doença de um morcego ao tentar caçá-lo. Gatos e alguns cães adoram caçar.....
Tudo isso, eu trouxe aqui para alertá-los da importância da vacinação.



Pegue a carteirinha do seu bichano, confira se todas as vacinas estão em dia. Qualquer dúvida, procure um veterinário!

Fonte: Instituto Pasteur de S.P;
MV&Z - Revista de Educação continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia

domingo, 6 de maio de 2012

Dodó......uma saudade

É muito difícil falar dela....chega a doer....
Dorothy, minha querida Dodó, uma gata persa, uma curta vida.
Eu e minha filha Clara fomos buscá-la na Vila Maria, bairro de São Paulo. Logo que segurei a Dorothy, era a mesma coisa que segurar um ratinho, muito pequena, frágil, osso puro, coitadinha estava muito debilitada.
Nos primeiros dias, Dorothy vomitava o pouco que comia, achei que não fosse sobreviver.... fiz um preparo de comida bem líquida e injetava na boca a cada 2 horas. Bem,  ela foi melhorando e crescendo, ficou linda! Não sei se é o meu coração, mas ela era MARAVILHOSA! Um jeito doce e um olhar apaixonante....Meu Deus, que saudade!
O primeiro sinal foi percebido pela minha filha Camila.
Ela disse:  "Mãe, a Dorothy está respirando diferente".
Realmente  estava, começou a respirar com dificuldade.
Fiz uma radiografia e havia presença de líquido no tórax de Dodó. Retirei o líquido afim de facilitar a respiração e agendei um ecocardiograma para descobrir o que causava o acúmulo de líquido.
O resultado foi triste. Era um  tumor enorme, maior que o coração, não tinha o que fazer, apenas tentar uma quimioterapia,  era a única saída.
Em um sopro de despero, pensei em operá-la para retirada do tumor, eu sabia que não havia a menor chance, mas completamente agoniada pela impotência diante da doença, preferia que ela morresse na tentativa de vida a ficar esperando pela morte. Gente...eu sou péssima, como sofri.... Bem, não consegui ninguém louco o suficiente para esse tipo de cirurgia.
Durante a pesquisa do problema, descobri também que ela tinha a FELV, vírus da leucemia felina. Acredito que ela tenha contraído a doença da própria mãe, durante a gestação.

Dorothy faleceu com 11 meses de vida, o tumor foi extremamente agressivo e  localizado na base do coração. Tudo foi muito rápido, na verdade ela nem respondeu a quimioterapia. Do dia que percebemos a dispnéia (dificuldade respiratória) até o dia da sua morte, foram apenas 17 dias.

Agradeço eternamente a minha mãe, Luiza e ao meu amigo Ronaldo, ambos ajudaram a Dorothy nos momentos mais difíceis da sua curta vida.
Perdoem-me, infelizmente, escrever detalhes dessa história é impossível, apenas adoro lembrar que ela existiu e fez parte da minha vida!     Te amo Dodó.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Terceira idade...

Amo os idosos ! Falo dos humanos e dos animais.
Realmente tenho um carinho muito especial por eles.
Atualmente os animais tem vivido mais tempo (para nossa alegria...), pelo avanço da medicina veterinária, pela criação ou manejo e nutrição. Com isso  já vimos cães chegarem aos 18 anos e gato aos 22 anos...é incrível!

Vamos ver alguns fatores de envelhecimento nos animais:
- Raças de porte pequeno vivem mais tempo que os maiores;
- Nossos amados vira-latas vivem mais que as raças puras;
- Os gordinhos (obesos) tem uma expectativa de vida menor que os não obesos;
- Dietas ricas em gordura e pobre em fibras reduzem a expectativa de vida;
- Os animais castrados vivem mais tempo que os não castrados.

Envelhecer não é uma doença, mas não podemos ignorar que com o envelhecimento aumentam as chances de ocorrerem doenças, afinal os orgãos (coração, rins, pulmão, pele, etc) estão passando por um processo natural de degeneração, chamado "tempo".

Para envelhecer bem, quero dizer com saúde e qualidade de vida, é preciso pensar na velhice quando ainda jovens.
Olha aí, eu repetindo de novo, a prevenção é o melhor remédio.

Com toda a certeza, acompanhar a terceira idade do seu pet, pode dar trabalho, mas quem esteve com você e te proporcionou alegria por tanto tempo, merece todo o cuidado do mundo. Acredito que na velhice, a atenção e carinho é tão ou mais importante que em todas as outras fases da vida. Paciência é a palavra, eles ficam mais lentos, perdem a pressa e energia da juventude. Mas não perdem o olhar, ao contrário ganham os olhos da maturidade.
Precisamos pensar em algumas ações que previnem ou retardam o envelhecimento, essas atitudes devem fazer parte da rotina do seu animal desde jovem:
Nutrição - cada coisa que você pensar em oferecer ao seu pet, pense o que pode acontecer com o organismo dele. Não ache que sendo só um pedacinho não faz mal...Uma alimentação bem balanceada é o que mantêm a máquina que chama corpo, em funcionamento.
Atividade física - já ouvimos essa frase: sedentarismo não faz bem pra ninguém. Verdade, mas avalie o porte e condicão corpórea do seu animal. A atividade física deve ser planejada para que faça o BEM ao corpo. Além de tudo deve ser prazeirosa para você e seu companheiro.

Higiene - Banhos, corte das unhas e limpeza das orelhas e olhos, continua sendo importante na terceira idade.
Cuidados Médicos - Fundamental a nossa amiga "prevenção". Vermífugos, vacinas, exames clínicos, odontológicos e laboratoriais. Um check up anual é um excelente controle. Converse com seu veterinário.

Vocês já ouviram falar em asilo de animais? eu gosto da idéia....quem sabe, um dia....

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cinomose

Há poucos dias atrás,  uma senhora de mais ou menos 80 anos e seu auxiliar, um senhor também de aproximados 60 anos, chegaram na clínica, eles haviam perdido seu cachorro há uns 6 meses.

Ela queria outro, porém tinha algumas exigências: preferia macho, de várias cores, porte pequeno a médio, jovem, mas não filhote. Apresentamos várias opções de cães para adoção. Infelizmente não achei nenhum que caísse no seu agrado.

Passado alguns dias, tive a notícia que eles foram pra uma cidade no interior de São Paulo e em uma feira de adoção, um pequenino cão escolheu a senhora.
Eles vieram ao consultório.
Gente....um cão delicioso, carinhoso, com um olhar triste que chegava a dar dó, magro como só ele. Quando peguei no colo, ele começou a me lamber, que gostoso, parece que ele dizia: "Pronto, agora tenho um lar, estou feliz!..."
Porém, como eu disse: seu olhar era muito triste.
O pequeno tinha 4 a 5 meses e os novos proprietários não sabiam nada dele. De onde veio? Sabiam o nome da cidade. Foi vermifugado? Talvez. Vacinado? Não, provavelmente não.
Recomendei vermífugo, exames laboratorias e o melhor era mantê-lo em casa até que fosse feito o protocolo de vacinação e sempre observando toda e qualquer alteração.
O senhor me respondeu:  Imagina Dra.!, ele estava numa ONG com mais um montão de cachorros, qual o problema dele passear?
Tentei explicar, parecia que tinham entendido, mas senti que não tive muito sucesso!
Foram embora com o cão caminhando pela rua......
Após uns 10 dias, eles vieram na clínica me falar que o pequeno tinha sido internado em um Hospital Veterinário durante o final de semana, apresentava sinais neurológicos como síncope e convulsão. A médica veterinária de plantão suspeitava de Cinomose.
"Cinomose é uma doença causada por um vírus, altamente contagiosa, acomete cães filhotes e adultos, possui vários sintomas/sinais e normalmente leva à morte. A vacinação é a prevenção."


Bem, aqui a história acaba. Infelizmente, o pequeno cão com um olhar triste e inesquecível veio a óbito 4 dias depois.

domingo, 15 de abril de 2012

Conselhos de uma veterinária......

Convivo com os problemas dos animais, mas também convivo com os problemas dos DONOS dos animais, por isso resolvi postar alguns conselhos.......


1- Animal dá trabalho: faz cocô, xixi, precisa comer e também fica doente. Requer cuidados.
2- Adoção é tudo de bom! Existem milhares de animais pra serem adotados, porém, quando adotá-los, lembrem-se:   precisam de muitooooooos cuidados, como exames, remédios, vacinas.
3- Se for comprar um animal, avalie e estude as muitas raças existentes e escolha a mais parecida com seu estilo de vida.
4- Animal é um ser vivo, não é bicho de pelúcia.
5- Vermifugue seu animal.
6- Vacine seu animal.
7- Leve ao veterinário regularmente.
8- Animal é animal, gente é gente. Amamos os animais profundamente, mas precisamos respeitar as diferenças.
9- Existem muitas doenças que acometem os cães e gatos, a prevenção é sempre o melhor remédio.
10- Animal não pode e nem deve comer de tudo, várias doenças tem origem na alimentação.
11- Muitos alimentos são tóxicos para os animais.
12- Muitas doenças dos humanos são similares às doenças dos animais, porém, nem todos os medicamentos usados nos humanos,  podem ser dado ao animal, ah...a dosagem também é diferente !
13- Cães e gatos são diferentes mas podem viver juntos.
14- A junção de dois ou mais animais no mesmo ambiente requer adaptação.



15- Se não for procriar seu animal, castre-o. É o melhor para eles.
16- Em casos de cirurgia, a anestesia inalatória é melhor e mais segura para o seu animal.

17- Sarna não cura com óleo quente.
18-Existem muitos MITOS, procure informações com profissionais de sua confiança.
19- Os animais são resistentes, mas também sentem dor.
20- Tártaro nos dentes deve ser retirado, além do mau hálito, provoca doenças.



ADORO ESSA FRASE: ANIMAL NÃO É BRINQUEDO, SENTE DOR, FOME E MEDO!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Uma menina mimada por natureza.

O nome dela é Nana (na foto é a de laçinho azul), raça West Highland WhiteTerrier, 4 anos, é a filha mais velha da Patrícia Cicarelli, além de mais velha é a preferida entre suas irmãs Trilli, uma shih tzu que mais parece uma poddle e a Wendy, outra West de 8 meses.
A história dela começou com uma outra colega veterinária que tratou da infecção urinária, nessa ocasião também tinha urólitos na bexiga que foram retirados através de um procedimento cirúrgico. Bem, atendi a Nana na recorrência da cistite (infecção urinária). Os urólitos na bexiga de um cão são reduzidos/controlados através da mudança de alimentação, porém a Nana não se adaptou a ração que altera o pH urinário e mantêm o controle da cistite. Ou seja, a Nana sempre tinha a infecção.
Solicitei um check up para atualizar-me do quadro geral. Precisava eliminar a infecção e principalmente controlar para não ter nova recidiva. Iniciei o tratamento com antibiótico específico para a bactéria que acometia seu sistema urinário. Porém a Nana começou a vomitar, ou seja o antibiótico tinha agredido seu estomâgo e precisei entrar com um protetor da mucosa gástrica. Tudo deu certo.
Passado o período da medicação, fizemos novos exames  e a infecção estava eliminada, mas ainda existia a presença de cristais. Como ela não aceitou a ração que mantêm este controle, fiz uma receita caseira baseada em conceitos nutricionais.
Qual cão não gosta de comida caseira?? Ela adorou! E sua proprietária também...
A Patrícia tem um sentimento maternal e neurótico quanto ao seus animais passarem fome, então compra os ingredientes e cozinha para sua cadelas com todo o prazer deste mundo, coisa que na verdade não acontece para os seus três filhos humanos....vai entender?! Há loucos para tudo... Eu gostei da idéia, afinal curei a infecção urinária da Nana.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

De veterinário e psicólogo todo mundo tem um pouco.

Beni e Brad, dois lindos gatos persas. O Beni é mais velho, na cor cinza, com um pêlo sedoso, grande e brilhante. Brad é bege, meio dourado, uma cara de safado que dá vontade de morder!
Seus pais, um casal super simpático que são apaixonados por essas criaturas de Deus. Cuidam dos pequenos e os conhecem profundamente, como todo bom dono de gato.
O Beni é mais ligado a mãe e o Brad ao pai.
Beni, chegou no consultório com falhas de pêlo no corpo todo. Seus proprietários estavam com um certo desespero, porque ele se lambia, coçava e fazia feridas na pele.
Examinei o Beni. Coitadinho, estava horrível, tinha feridas no dorso e faltava aquela pelagem linda, sedosa e brilhante em várias partes do corpo.
Em toda a anamnese (histórico do animal) não consegui concluir nada, examinei-o e ele estava bem, o único problema era a pele e o pêlo.

Mediquei-o para cicatrização das feridas e solicitei vários exames, afinal, poderia ser um milhão de coisas.
Chegaram os resultados, alguns demoraram vários dias, mas resumindo:  Beni não tinha nada.
Bom, vamos entender melhor o que pode estar acontecendo com os quatro (pai, mãe, Beni e Brad). Conversa vai, conversa vem, descobri que a mãe estava passando por sérios problemas no trabalho. Pronto: poderia ser isso!
Como assim? ele se feria e perdia os pêlos porque ela estava com problemas?
EXATO.
Como eles são bons conhecedores desse ser extraordinário que é o felino, realmente acharam que era possível ser essa a causa.
Para tranquilizá-los, preescrevi um ansiolítico para que o Beni pudesse conviver melhor com essa fase.
Seus pais não chegaram a comprar o remédio...
Passado uns 2 meses, chega ao consultório, o gato mais delicioso do mundo e melhor: todos os pêlos crescendo e sem falhas !


COMO FIQUEI FELIZ! Conversando com o pai, soube que os problemas profissionais da mãe tinham sido solucionados e ela estava bem melhor, consequentemente Beni também!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Anjos existem !!!

Essa história é muito mais da nica do que minha e tenho um prazer enorme de contá-la.

A Mônica mora no interior da região Sul e na cidade há grande dificuldade de acesso a veterinários de pequenos animais.
Conheci-a  em 2010, ou melhor, não a conheço pessoalmente, somente por telefone, facebook ou mensagens.
Vamos a história:
A Mônica conseguiu, através de uma outra amiga protetora, levar 15 gatinhas para castrar no centro de zoonoses de uma cidade vizinha.
Foi bem trabalhoso! Levou cinco em um dia e no dia seguinte, levou  outras cinco e assim foi.
No último dia, quando foi buscar suas gatinhas, ela entrou em uma das baias para pegá-las, olhou para o lado e viu dentro de uma jaula, com uma plaquinha escrita SACRIFÍCIO, uma gatinha, muito lindinha mas com o rosto desfigurado. A mandíbula dela estava partida e totalmente deslocada. Mônica levou um choque!!
A pequena, muito espertinha, foi pedindo atenção e se esfregando (impossível não reagir àquilo). Então,  Mônica perguntou a uma atendente o que havia acontecido, ela disse que não sabia, mas logo foi dizendo que se alguém a tratasse ela sobreviveria. Mas que ali no Centro de Zoonoses não tinham como mantê-la.
Claro! Ela pegou a gata da gaiolinha, juntou com as outras e foi embora.
 
Mas, e agora?... o que fazer com a gata?.... nunca tinha visto algo tão triste. Estava com a boca tão caída que lembrava aquela máscara do pânico. Até seus outros gatos estranhavam a aparência da pequenina. A cachorrinha Luna, quando olhava pra gatinha, ficava latindo sem parar. Então, lembrou do filme CARRIE, A ESTRANHA e resolveu chamá-la de Carrie Scary. Parece que ela gostou! Mas o que fazer? Ela tinha grande dificuldade para se alimentar, tinha que ser ajudada todo o tempo.
Então, teve a idéia de postar, em várias comunidades do facebook, pedidos de ajuda, conselhos, sugestões do que poderia ser feito para tratar a Carrie.......foi quando eu apareci, vi o pedido de socorro da Mônica e me dispus a ajudá-la.
Nos falamos pelo telefone.... muito dificil ensinar alguém, o que deve ser feito, apenas em palavras, mas como nós duas concluímos, eu e a Mônica erámos a melhor opção da Carrie.
Bem, expliquei como fazer uma talinha no rosto e ir ajustando com o tempo. Precisávamos também medicá-la para a dor, imagine como devia doer....
Segundo a Mônica, deu muito trabalho! Não foi nada fácil, pois ela tirava a tala e teimosamente era colocado de novo. 
Rapidamente foi consolidando.
Ela está agora com uma saúde perfeita.
A boca ficou tortinha, mas com os dentinhos no lugar e ela come normalmente. Muito brincalhona, adora subir em árvores.
 
Eu acredito em anjos !
A Mônica foi e é o anjo da Carrie, como também de muitos outros que tem a sorte de encontrá-la no caminho!!
A propósito, estamos tratando mais alguns gatinhos, espero que tenhamos o mesmo sucesso da Carrie.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Emergênciaaaaaaaaaaaaaaa...........

Um amigo meu está trazendo o cachorro dele, disse que esta péssimo....- me avisou a Camila.
Passou uns 20 minutos, eu estava olhando as orelhas de um outro paciente, quando vi subindo um daschund (salsicha) grande e marron, completamente desacordado, no colo de um rapaz.
Desci da mesa o paciente da orelha e deitamos o daschund. O nome dele é Pluto, 12 a 13 anos, ninguém sabia ao certo....e uns bons 12 quilos, bem grandão.
Ele estava em choque, não responsivo, sem movimento nenhum, todos os seus músculos tinham uma rigidez impressionante.
Enquanto avaliava os sinais do Pluto, fazia perguntas ao proprietário afim de descobrir o que tinha acontecido: o Pluto tinha saído ao meio dia para passear e quando retornou não estava bem... ninguém viu o que aconteceu, já eram 3 horas da tarde e ele estava péssimo.
Eu precisava agir rápido, coloquei na fluidoterapia (soro), tinha uma desidratação severa e elimininava líquido pelo ânus como se fosse uma torneira aberta.
Estava em choque hipovolêmico, ou seja, o animal perde tanto líquido que o coração fica incapaz de bombear sangue para o corpo. Isso pode causar a desfunção de outros orgãos, levando rapidamente a morte.
Teoricamente, a perda de aproximadamente um quinto do volume sangüíneo normal, por qualquer causa, pode causar choque hipovolêmico. Isto inclui sangramentos ou perda de líquidos do corpo.

Achei que ele estava morrendo...toda vez que eu me deparro com essa situação, fico nervosa, triste, comecei a tremer...parei, pensei, me acalmei e voltei a agir...tudo isso em questão de segundos... ele não tinha tempo.
Os sinais eram bem característicos de uma intoxicação...a que? não sabemos.
Não sei quanto tempo passou.....até as pálpebras não tinham mais reflexo....achei que o coração pararia a qualquer momento.

Durante esse tempo o proprietário tinha ido até a padaria comer alguma coisa, quando retornou, chegou próximo ao rosto do Pluto e começou a conversar com ele, pedia pra ele reagir, sair dessa. 
Gente, parece mentira o que eu vou dizer,  mas ele levantou, parecia que estava retornando de um coma profundo, super atordoado.
Meu Desus, ele reagiu, abriu os olhos, tentava fixar o olhar, totalmente desnorteado, mas era um bom sinal. Nao acreditei, olhei para a Camila, transmitimos o pensamento: "será que conseguimos??".
O Pluto saiu andando, foi para a cidade de Jundiaí aonde está internado no hospital de um parente do proprietário, ainda em tratamento para uma gastroenterite, mas está bem, vivo e fora de risco!
Valeu Pluto !!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Meio Kilo

Meio Kilo, esse é o nome dele.
Sua proprietária, Jane, resgatou o pequeno. Era o menorzinho entre os outros, estava debilitado e na ocasião ele ficou internado. Não sei o que ele teve.
Conheci Meio Kilo em dezembro passado, quando veio para iniciar o protocolo de vacinação, ele tinha uma pequena anemia, mas estava bem.
Nos primeiros dias deste ano, veio a Jane com o nosso querido Meio Kilo sem comer nada e super apático.
Ohh..coitado, nem se mexia, super debilitado, desidratado e magrinho de novo.

Coletei exames e solicitei urgência no laboratório.
Iniciei os primeiros socorros. Ele estava fraco, sem cor e nem forças para se mover. Coloquei em fluidoterapia (soro), algumas medicações para controlar o vômito e enquanto isso eu aguardava os resultados dos exames....nada...passou quatro horas, resolvi ligar no  laboratório, conversa vai e conversa vem, descobri que o material coletado do Meio Kilo tinha ficado com o motoboy durante 3 horas..a b s u r d o ! ou seja, não adiantou nada pedir urgência. Resumindo tive o resultado somente à noite e acredito que pelo ocorrido com a amostra de sangue,  o resultado também não era 100% confiável.
Dia seguinte, Meio Kilo retornou ao consultório e ainda não comia nada, super prostrado. Vamos lá, tudo de novo. Rezei por ele. Tive medo que pudesse ser algo irreversível, como as vacinas não estão completas, ou melhor só iniciadas, me preocupei, mas (como sempre) acredito que com o meu trabalho e uma força "divina" ele sairia dessa.
Ficou novamente internado comigo.
Dia seguinte, uma pequena melhora, ele começou a levantar, meio cambaleante, é verdade, mas é um começo....ah, também lambeu um pouquinho da comida.

Tudo de novo, mais um dia de internação, soro e medicação.

Outro dia: finalmente começou a comer, estava mais animado, até latindo!!! Internei mais um dia, para garantir a melhora. Fiquei muito feliz !
O trabalho de veterinária é isso: uma luta constante onde manipulamos  o organismo de um outro ser vivo para que ele reaja e combata a doença. Temos derrotas e às vezes quem vence é a doença, mas quando eu consigo vencê-la... EU AMO! 
P.S.: Talvez seja a mesma sensação do jogador de futebol quando faz o gol.

Meio Kilo tem de 3 a 4 meses, vira-lata puro, um olhar doce e carente que conquista qualquer um.